Um dos maiores pilares do sofrimento humano reside no não reconhecimento de que tudo o que desejamos já está pronto para nós á nossa espera. Em vez de lutar para ter podemos abrirmo-nos a receber.

Não existe dificuldade alguma na Criação. A Luz da nossa Consciência serve o desejo de expressão do humano. Basta que o humano expanda a sua capacidade de recebimento e se permita receber o que está pronto/a dentro de si.

Não existe escassez como algo separado do humano. Escassez não é um facto real, é uma experiência desejada que valida as crenças/ desejos do humano.

O humano não tem consciência de que é ele que está a escolher essa experiência continuamente principalmente porque acredita que tudo existe e vem a si  por escolha da “vida” lá fora, exterior a si mesmo. Na separação o ciclo de repetição do mesmo é constante.

Mas ao considerarmos que tudo nasce em nós mesmos para servir-nos na nossa experiência, podemos abrir uma nova possibilidade e convidar a energia a servir outro tipo de experiência.

Finalmente é importante lembrar que os desejos que alimentamos são os componentes da crença na separação ou na integração com a nossa divindade. Que percepção temos de nós mesmos?

A escassez garante e reforça a crença no ser separado, sozinho, limitado, não merecedor , sem valor e, infelizmente, para muitos não merece por todos os pecados que cometeu e ainda irá cometer…

Apostamos no “eu coitado”. Os coitados ganham o Céu, recebem  a piedade e pena dos outros, fazem-se rodear de sofrimento e limitação e isso atrai a atenção dos outros. Os coitados vivem desse estado de dependência extrema. Cada um traz em si uma mensagem do tipo – “olha bem para mim e de como eu sofro. É tua obrigação ajudar-me e dar-me o que me falta. Tens mais sorte do que eu, coitado de mim que não tenho nada.” É uma dinâmica que investe na miséria como um valor a ser cultivado. Os pobres merecem porque nada possuem. No entanto a pobreza não define quem eles são mas sim reforça a crença que transforma os humanos pobres e infelizes em simples e tristes marionetas do jogo humano. O pobre humilha-se, desonra-se, mas sabe que não é culpado pois acredita que ele/a é pobre porque o outro é rico. Assim, condena-se a si a ser pobre e condena o outro porque é rico ou tem mais…! O pobre tem em si um desejo oculto de ser a vítima dos que podem ou têm mais …

Se não houvesse pobres, não existiriam “ricos”. Os ricos são os responsáveis e os pobres são os miseráveis. Interessante reflexão, certo?

Estamos a viver fortemente todos estes contrastes  para que eles se desfaçam. Não podemos “concertar” a dualidade. Apenas dissolvê-la. Aqui nasce uma Nova Humanidade! 

Lembremos que a pobreza é tão pobre quanto a riqueza e vice- versa. A riqueza é tão pobre como a pobreza porque ambas são parte da mesma moeda.

Somos “pobres” ou “ricos” porque nos vemos dessa forma. Não porque temos mais ou menos dinheiro ou bens, mas porque nos escondemos de nós mesmos para jogar o jogo do gato e do rato. Não existem pobres ou ricos. Existem mentalidades pobres ou ricas. E porque as mentalidades são sempre jogos mentais, a

Mudança do mundo precisa de ser feita desfazendo as diferenças, percebendo-as como ilusórias e temporárias para servir experiências.

O pobre ou rico vive da da sua própria ilusão. Acredita nela de tal forma  que se perde no jogo. O rico foge do pobre e o pobre tem medo do rico. Isto significa que o pobre é o rico disfarçado de pobre e o rico é o pobre disfarçado de rico.

É que Assim seja! 

Isabel Ferreira.